“O Projeto é o Rascunho do amanha”

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domingo, 16 de outubro de 2011

Os ensaios para o fim do mundo

As autoridades britânicas se preocupavam com a possibilidade de uma guerra nuclear.


Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de bipolarização política e ideológica entre as nações do mundo construiu um cenário marcado por fortes tensões. Capitalistas e comunistas realizavam aparições públicas que, vez em quando, afirmavam a supremacia de seus regimes e o poderio militar de suas nações aliadas. Nesse último aspecto, a famosa corrida nuclear mostrou ao mundo que, pela primeira vez, a humanidade criara condições para determinar o fim do mundo.

A primeira trama deste jogo aconteceu em 1945, quando as tropas norte-americanas destruíram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Quatro anos mais tarde, os soviéticos responderam a tal feito com a organização de uma série de testes nucleares no Deserto do Cazaquistão. Logo em seguida, em 1952, os norte-americanos deram uma pavorosa resposta com o desenvolvimento da bomba de hidrogênio. Alguns anos depois, os soviéticos anunciaram o conhecimento dessa mesma tecnologia.

O domínio dessas armas fez com que a ameaça da Terceira Guerra Mundial fosse plausível para muitos civis, militares e governantes da época. Somente hoje, a liberação de arquivos daqueles tempos nos revela como a disputa nuclear interferiu nas ações dos governos espalhados pelo mundo. A esse respeito, historiadores revelaram há pouco tempo informações inéditas sobre as precauções adotadas pela Inglaterra caso um conflito nuclear acontecesse.

Por meio de um manual ultrassecreto, chamado “Livro de Guerra”, os funcionários do alto escalão recebiam treinamento regular sobre os procedimentos a serem tomados nessa situação extrema. Segundo a obra, composta por dezesseis capítulos, a Inglaterra seria dividida em doze regiões coordenadas por um governo local. Para que a administração não fosse atingida, uma série de bunkers foi construída para abrigar os principais dirigentes da nação.

Antevendo uma série de minúcias sobre a guerra nuclear, essa macabra obra realizava uma projeção sobre as estratégias de ataque que seriam organizadas pelas nações socialistas. Não se limitando a essas orientações, a rádio estatal BBC elaborou várias locuções que anunciariam a toda população que o país era alvo de um ataque nuclear. Além de pedir calma aos civis, a mesma mensagem orientava para que as famílias permanecessem em casa e estocassem alimentos.

Caso essas medidas de contenção não surtissem o efeito esperado, o governo britânico se voltaria para a execução da “Hora R”. Esse seria o momento em que os ingleses acionariam o seu arsenal nuclear contra as tropas inimigas em uma ação desesperada de conter a eminente derrota. Para se ter uma noção de como esse plano era levado a sério, fontes atestam que as orientações do “Livro de Guerra” foram treinadas e analisadas até a década de 1990.

Tanques de Guerra

Os tanques de guerra

O russo T-90, um dos mais modernos tanques de guerra produzidos na atualidade.

Considerados um dos mais potentes instrumentos de guerra contemporâneos, os tanques são utilizados desde a Primeira Guerra Mundial. Naquele tempo, a tensão política e o revanchismo entre as nações imperialistas abriram portas para o desenvolvimento de tecnologias de combate nunca antes observadas. A princípio, os tanques de guerra foram chamados pelos ingleses apenas como “tanks”, para que as nações inimigas não soubessem do potencial de destruição da tecnologia empregada nesse tipo de arma.

Uma das mais notórias vantagens contidas no uso dos tanques é a possibilidade de se atravessar territórios extremamente acidentados, atirar nas tropas inimigas e transportar vários soldados em segurança, tudo isso ao mesmo tempo. Contudo, até que todas essas vantagens fossem satisfatoriamente atendidas, os tanques ainda davam um enorme trabalho. Falhas mecânicas, o atolamento em terrenos movediços e a lentidão do carro eram as limitações mais comuns desta arma.

Com o passar do tempo, o desenvolvimento de novas pesquisas transformaram os tanques em uma opção de guerra mais ágil e poderosa. Segundo estimativas, um tanque de guerra tem hoje noventa por cento de chance de atingir em cheio outro tanque, mesmo que ele esteja em movimento. Toda essa eficiência gerou um custo que encareceu bastante a manutenção dessas máquinas. Rússia, Israel, EUA, Inglaterra, França e Alemanha, são exemplos de nações que produzem esse tipo de armamento.

É interessante notar que o aperfeiçoamento dos tanques de guerra não foi provocado por uma necessidade natural de se repensar as suas capacidades. Na medida em que se tornaram mais potentes, os tanques logo tiveram de enfrentar outro braço da tecnologia bélica dedicado à destruição de tanques. Hoje em dia, o míssil norte-americano “Hellfire” consegue destruir o sistema de proteção de qualquer tanque de guerra contemporâneo.

Usualmente, os tanques mais modernos adotam sistemas de blindagem feitos a partir de compostos de cerâmica ou com o uso do “Chobham”, um composto resistente que ainda tem sua fórmula mantida em segredo. Além desse tipo de proteção, existem os sistemas de blindagem reativa, onde os tanques são cobertos por placas que explodem no sentido contrário do projétil que o atinge. Por meio dessa explosão, o impacto causado pelos ataques diminui consideravelmente.

Mesmo com tantas mudanças e aprimoramentos, um tanque de guerra ainda pesa – em média – algo em torno de 60 toneladas. Para o futuro, se espera desenvolver tanques não tripulados que pesem cerca de um terço do valor atual. Ao invés de mísseis, alguns dos tanques do futuro utilizariam tiros a laser e micro-ondas. Apesar de tais projeções, é complicado saber quais as modificações que os tanques sofrerão para atender os objetivos militares do porvir.

AK-47

AK-47

A AK-47 tornou-se um dos mais expressivos ícones da tecnologia militar do século XX.


Como muitos sabem, o século XX esteve fortemente marcado pelo desenvolvimento das tecnologias voltadas para a guerra. Em questão de décadas, a capacidade de destruição, a precisão e o alcance das armas atingiram patamares extraordinários. Na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) destacamos o recorrente uso das metralhadoras fixas em tripés. Apesar de deflagrar uma grande quantidade de tiros, essa arma logo acabou ficando ultrapassada.

Na verdade, o reforço e o invento de outras armas mostravam que a adoção de uma posição fixa no campo de batalha, exigida pelas primeiras metralhadoras, incorria em sérios riscos. Dessa forma, inventores e projetistas dedicaram-se ao desenvolvimento de rifles de assalto que tivessem o mesmo poder de destruição das metralhadoras, mas que deixassem os soldados livres para combaterem em diferentes posições.

Já na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), os alemães lançaram uso da Sturmgewehr 44, dada como primeira espingarda de assalto do mundo. Logo após o fim do conflito, Josef Stálin, líder da União Soviética, promoveu um concurso onde requeria o desenvolvimento de uma arma semelhante e que seria utilizada por todas as nações do bloco socialista. Foi então que o ex-combatente Mikhail Kalashnikov, que se recuperava em um hospital, venceu o concurso ao desenvolver a AK-47.

O grande sucesso da arma se deu por conta de duas características fundamentais: simplicidade e durabilidade. O processo de montagem da arma é tão simples como qualquer outro jogo de encaixe para crianças. Além disso, ela tem a capacidade de preservar seu bom desempenho nas mais variadas situações de conflito. A grande prova desse sucesso aparece em estimativas que dizem que a “Avtomat Kalashnikov-1947” (nome completo da arma) figurou cerca de 90% das guerras do século XX.

Após a desarticulação do bloco soviético, observamos que a AK-47 proliferou-se entre as guerras civis que assolavam o continente africano. Em alguns casos, o uso indiscriminado chegou a fazer com que essa potente arma, valesse algo em torno de vinte dólares no mercado africano. Alguns anos mais tarde, essa mesma arma ganhou prestígio entre os grupos terroristas islâmicos e dos vários cartéis envolvidos com o tráfico de drogas.

Tendo apenas 87 centímetros de comprimento e pesando menos de quatro quilos, essa arma ainda possuía um carregador com trinta cartuchos. Quando posta em uso, a arma oferece um desempenho que pode deixar qualquer pessoa impressionada. Estando em boas condições, ela pode deferir seiscentos tiros a cada minuto, sendo que cada um deles atingem uma velocidade de 2574 quilômetros por hora. Isso sem contar na precisão do tiro, que pode variar entre 800 metros a um quilômetro de distância.

Por volta de sessenta anos, a empresa russa Izhmash deteve os direitos de fabricação exclusiva da AK-47. No ano de 2009, por conta de uma série de contratempos, a empresa foi obrigada a pedir falência. Apesar disso, ainda existe um intenso mercado de vendas para o armamento, que é alimentado pela fabricação de versões piratas. Entre essas versões alternativas, ficou conhecido um modelo todo banhado a ouro, o qual pertencia à coleção particular do falecido ditador Saddam Hussein.