Fernando Henrique Cardoso
Presidente do Brasil - de 1/1/1995 a 1/1/1999 e
de 1/1/1999 a 1/1/2003
18/06/1931 - Rio de Janeiro, RJ

Fernando Henrique Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, numa família de
militares de grande tradição nacionalista. Mudou-se para São Paulo aos 8
anos, onde se formou em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo
(USP), completando seus estudos de pós-graduação na Universidade de
Paris.
Após o
golpe militar de 1964,
exilou-se no Chile e, a seguir, na França. Voltou ao Brasil em 1968 e
tornou-se professor de ciências políticas na USP. Meses depois, foi
aposentado compulsoriamente pelo AI-5 (Ato Institucional nº 5). Fundou,
então, com outros pesquisadores cassados, o Centro Brasileiro de Análise
e Planejamento (CEBRAP), que se tornaria um núcleo de pesquisa e
reflexão sobre a realidade brasileira.
Ainda que silenciado pela ditadura militar, Fernando Henrique continuou
pesquisando, fazendo palestras e escrevendo artigos na imprensa, sempre
como crítico do regime militar e defensor de uma transição pacífica
para a democracia.
Vida política
Em 1978, foi eleito suplente de Franco Montoro para o Senado pelo MDB
(Movimento Democrático Brasileiro). Em 1983, assumiu a cadeira no Senado
quando Montoro foi eleito governador de São Paulo. Em 1985, foi
candidato a prefeito de São Paulo e perdeu por 1,3% dos votos para o
ex-presidente
Jânio Quadros.
No ano seguinte, reelegeu-se para o Senado com 6 milhões de votos, a
segunda maior votação no estado. Dois anos depois, funda, com outros
líderes políticos, o PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro).
Em 1992, é nomeado ministro das Relações Exteriores do governo
Itamar Franco
e, no ano seguinte, assume a pasta da Fazenda, quando consegue
mobilizar parlamentares e a opinião pública em torno de um plano de
estabilização econômica que incluía medidas de controle do déficit
público e uma reforma monetária - o chamado Plano Real.
Afastado do ministério para disputar as eleições presidenciais de 1994,
venceu o pleito no primeiro turno, com 54,3% dos votos. Seu governo foi
marcado pela quebra dos monopólios estatais nas áreas de comunicação e
petróleo, bem como pela eliminação de restrições ao capital estrangeiro.
Essa ampla política de privatização de empresas estatais renovou o país
nas áreas de telefonia e de extração e comercialização de minérios.
Graças ao modelo de crescimento econômico e à estabilização da
inflação, realidades raramente experimentadas no país, Fernando Henrique
Cardoso se reelegeu presidente da República em 1998, também no primeiro
turno, com 53,06% dos votos.
Apesar das várias crises externas que impactaram a economia brasileira
durante os quatro anos de seu segundo governo, graças à continuidade do
Plano Real a inflação se manteve baixa, na casa de um dígito percentual
anual, e assim continuou pelos anos seguintes.
Seus dois governos foram marcados pela implementação de várias
políticas sociais de transferência de renda para as populações mais
pobres, como os programas bolsa-escola, vale-gás e bolsa-alimentação.
Avanços importantes também foram conseguidos nas áreas da educação, da
saúde (com a distribuição gratuita de medicamentos contra a AIDS e a
criação dos remédios genéricos, vendidos a preços baixíssimos) e na
questão agrária (com a implementação de um sólido programa de reforma
agrária).
A manutenção do Plano Real, das metas de ajustes fiscais e do controle
dos gastos governamentais, contudo, não conseguiu dar conta de suprir
lacunas deixadas pelas administrações anteriores. No setor elétrico, por
exemplo, os baixos investimentos e a ocorrência de longa estiagem
levaram ao colapso das centrais hidrelétricas, ameaçando o país com o
chamado "apagão". O racionamento de energia elétrica foi imposto e a
economia brasileira sofreu um período de leve estagnação.
Com a vitória das oposições no pleito seguinte, Fernando Henrique
Cardoso organizou a transição de modo a facilitar o acesso antecipado da
nova administração às informações que fossem relevantes ao exercício do
governo, fato até então inédito na história do país.
Vida acadêmica
Além da Universidade de São Paulo, da qual é professor emérito,
Fernando Henrique ensinou nas Universidades de Santiago (Chile), de
Stanford e Berkeley (EUA), de Cambridge (Inglaterra) e na École des
Hautes Études en Sciences Sociales, na França, onde também ministrou
aulas no famoso Collège de France.
Autor de inúmeros livros, Fernando Henrique recebeu o título de Doutor
Honoris Causa de mais de 20 universidades e é membro honorário da
American Academy of Arts and Sciences. Em 2005, foi eleito um dos cem
maiores intelectuais públicos do mundo, em levantamento das revistas
Prospect e
Foreign Policy.