“O Projeto é o Rascunho do amanha”

sábado, 29 de outubro de 2011

Mitologia Nórdica


 Dicionário da Mitologia Nordica


AEGIR
Gigante famoso, Deus Vanir "Senhor do Mar", ele pode ser bom ou mau. Ran e ele possuem nove filhas ( Ondinas ). Ouro, prosperidade, tesouros afundados no fundo do mar, controla mentes e ondas.


AESIR
Principal raça dos deuses de Asgard. Os Aesir são liderados pelo deus Odin. Eles travam uma guerra com a raça de deuses da fertilidade chamados Vanir, que são depois integrados aos Aesir.


ALAISIAGAE
Deuses da guerra.


ALFES: Outra família de deuses, independentes dos Ases e dos Vanes. Esta família não possui nenhum dos chamados "grandes deuses" e desempenhou na mitologia germânica um papel muito secundário.


ALFHEIM
Região de Asgard onde moram os Elfos Luminosos.


AMSVARTNIR
Grande lago em Asgard em cujo centro fica a Ilha Lyngvi, onde os deuses aprisionam o lobo Fenrir.


ANDNARI
Anão guardião de um fabuloso tesouro. Esse anãozinho tinha o poder de se transformar em peixe e de viver na água. Andnari foi capturado por Loki e deu-lhe um anel maravilhoso.


ANGRBODA
Giganta amante de Loki, com o qual gerou as três monstruosidades Jormungand (a serpente de Midgard), o lobo Fenrir e Hel (a Morte).


ANÕES
Os anões, segundo a tradição popular, nasceram dos vermes que roíam o cadáver do gigante Ymir; conforme outra versão, surgiu dos ossos e do sangue de outro gigante da mesma família. Os anões tinham chefe e atribuições diversas; eram particularmente peritos nos trabalhos de forja. Os anões eram seres da mesma classe dos elfos, dos quais formaram uma categoria particular; em geral viviam sobre a terra; não eram belos, mas de inteligência superior, muitos deles conheciam o futuro; usavam grandes barbas. Entre os humanos, eram os mineiros os que tinham mais contacto com os anões, pois, trabalhando sob a terra, estavam no território desses pequeninos seres, que eram, igualmente, os senhores dos metais; quando um mineiro encontrava um anãozinho nas galerias subterrâneas, era sinal de quem um bom e belo "filão" estava próximo, pois eles só trabalhavam onde a terra escondia preciosos tesouros; um desses tesouros é célebre na poesia épica alemã: O Rei dos Nibelungos, do qual o anão Alberich era o guarda; Siegfrid, o herói dos Nibelungos, apropriara-se desse tesouro fabuloso depois de ter vencido o anão Alberich e ter dele exigido juramento de fidelidade. Os anões eram hábeis artífices; faziam não só armas dos deuses, mais também as jóias e brincos das deusas; Thor deve-lhes o seu famoso martelo, Freyr o seu navio mágico e o seu javali de ouro, Sif os seus cabelos de ouro, Freyja o seu colar de ouro, e Odin a lança Gungnir que nada podia deter; Odin também possuía o anel Draupnir, que, como o anel de Andnari, tinha o poder de multiplicar as riquezas daquele que o tivesse em seu poder. A crença nos anões foi sem duvida a mais popular de todas; no século XVlll, na Islândia, os camponeses mostravam rochedos e colinas afirmando, com a mais absoluta convicção, que lá moravam verdadeiros formigueiros de pequeninos anõezinhos do mais agradável aspecto. Existem quatro anões guardiães dos quadrantes são eles Nordhri (Norte), Austri (Leste), Sudhri (Sul), e Vestri (Oeste).


ASGARD
O primeiro dos três mundos do universo nórdico. É o reino dos deuses. Em Asgard está situada Valhalla, o palácio dos guerreiros mortos em batalha. Também em uma região de Asgard está Vanaheim, a terra dos Vanir e Alfheim, a terra dos Elfos Luminosos. Em Asgard estão também os palácios de cada um dos deuses, como também Gladsheim, o grande santuário na Planície de Ida.


ASK
O primeiro homem, criado por Odin a partir de um freixo.


ASYNJOR
A deusa, versão feminina de Aesir, assistentes de Frigg em Vingolf. Uma delas era a curandeira chamada Eir. Os outros eram Fjorgyn, Frima,Fimila, Hnossa a bela.


AUDUMLA
A vaca alimentadora, Mãe terra, nascida como Ymir, de gelo derretido. A vaca, para os germanos, era o ancestral da vida, símbolo da fecundidade. Das tetas da vaca Audumla corriam quatro rios de leite, alimentava-se do sal que o gelo continha, e que ela fundia ao lamber. Enquanto Ymir bebia o leite e ganhava novas forças, aconteceu que a vaca fez surgir, das cálidas gotas que salpicavam os rochedos cobertos de neve, outro ser vivo e de forma humana, Buri. Primeiro seus cabelos tomaram forma depois a cabeça e por fim o corpo todo. Buri, que gerou Bor, que gerou Odin, Vili e Ve.


BALDER / BALDR / BLADUR
Filho de Odin e da deusa Frigg, Baldr a da raça dos Ases. Seu nome aparece raramente nos mitos e nas aventuras divinas; mas o episodio do qual é o centro se refere ao próprio drama do mundo. Na Escandinavia era venerado sobre o nome de Baldr; os germanos do Oeste, sobretudo, o honravam. Snorri Sturllasson assim o retrata : " Um segundo filho de Odin é Balder e deste só há o que dizer bem; é tão brilhante que emite luz, e há uma dos campos, tão branca, que foi comparada com o cílios de Baldr: ela é a mais branca de todas as flores do campo. É o mais sábio dos Ases, o mais eloquente e o mais benigno. Mas uma condição está ligada a sua natureza: nenhum de seus julgamentos poderá ser realizado. Habita uma mansão no céu chamada "Breidablink". "
Baldr é, também, juiz; encarnação da pureza e da beleza, seus julgamentos jamais se realizam, talvez para mostrar que a perfeição e a suprema beleza não são deste mundo.


BERGELMIR
Um gigante, pai de todos os gigantes. Ele e a sua esposa foram os únicos sobreviventes da inundação do sangue de Ymir.


BERSERKS
Guerreiros que ficavam como que enlouquecidos durante as batalhas e atacavam sem nenhum medo de morrer. Acreditava-se que eram protegidos por Odin. Em inglês existe a expressão "to go berserk," que quer dizer "ficar violento, enlouquecido, incontrolável."


BESTLA
Buri, nascido do leite da vaca Audumla, teve um filho, Bor, e este desposou Bestla, filha do gigante, o qual descendia Ymir, da união de Bor e Bestla nasceram três deuses, Odin, Vili e Vé.


BIFROST
A Ponte do Arco-Íris. Ponte de luz que liga o primeiro mundo, Asgard (o mundo dos deuses), ao mundo-do-meio, Midgard. Bifrost é guardada pelo deus Heimdall. Com a chegada do Ragnarok, Bifrost irá ruir.


BILSKIRNIR
O palácio do deus Thor em Asgard.


BOR
Pai de Odin. Bor era filho de Buri, que nasceu da vaca primordial Audumla.


BORVERK
Um gigante, disfarce usado por Odin para adquirir o hidromel da poesia.


BREIDABLIK
Palácio de Baldr e Nanna em Asgard.


BRISINGS, COLAR DE
Colar maravilhoso feito por quatro anões com os quais a deusa Freyja dormiu para consegui-lo.


BROKK
Um anão, excelente forjador e joalheiro. Com seu irmão Eitri ele fez o Javali de ouro Gullinburtrsti, o anel de Odin e o martelo de Thor (Mjöllnir). Ele foi descrito como sendo pequeno e foi enegrecido de ferrarias.


BRUDABLIK
O palácio do deus Balder em Asgard.


BRÜNNHILDE
A líder das nove Valquírias. Por ter desobedecido uma ordem directa de Odin, Brünnhilde perde a imortalidade. Odin fá-la adormecer sobre uma pedra no alto de uma montanha e cerca todo o local com fogo. Ela deverá ficar dormindo ali até que um guerreiro destemido atravesse o fogo, desperte-a com um beijo e despose-a. Esse guerreiro é Siegfried.


BRYNHILD
Personagem do poema épico germânico Nibelungen.


BURI
Ser nascido do leite da vaca Audumla; foi pai de Bor que, por sua vez, gerou o deus Odin.


BYGOL
"Abelha de ouro " ou mel & TRJEGUL ( Tree-Gold ) "Árvore de ouro " ou âmbar: Nome dos gatos que puxam a carruagem de Freyja.


CACHOEIRA DE FRANANG
Cachoeira em Midgard onde Loki é capturado quando metamorfoseado em salmão.


CERVEJA
Os antigos germanos gostavam muito de cerveja e hidromel; ainda que não fosse bebida sagrada, entrava em várias solenidades do culto. Bebia-se cerveja em todas as reuniões solenes, e o fato de beberem juntos constituía um laço mágico não somente entre os presentes, mas entre os deuses e os homens; para preparar a cerveja havia usos dos quais ninguém podia se subtrair, sob pena de sacrilégio. Para todas as reuniões importantes era tradição preparar imensas quantidades de cerveja, comummente obtidas lançado num grande vaso o que cada um trazia; era de regra continuar a festa e as libações até que o vaso estivesse vazio; só então a festa ou reunião findava. São Columbano, o envagelizador dos germanos, teve ocasião de ver uma desses monstruosos vasos de cerveja preparada para oferecer ao deus Wotan (Odin).


CREMILDA
Personagem da epopeia Nibelungos.


CREPÚSCULO DOS DEUSES
(Em alemão, Götterdämmerung) É a quarta ópera da tetralogia de Richard Wagner "Der Ring des Nibelungen," que narra a morte de Siegfried e de Brünnhilde. Crepúsculo dos Deuses é a tradução da palavra Ragnarok.


DAIN
Soberano dos Elfos.


DEMÓNIOS
Segundo a concepção Germânica, os demónios não eram deuses decaídos nem transformação tardia dos espíritos dos falecidos. Eram personificações das forças e das formas da natureza e dos fenómenos, fossem quais fossem, não sabiam explicar. É esta uma ideia fundamental, comum a todos os povos germânicos; variam apenas os nomes e as características particulares, de tribo para tribo, de região para região, mas os demónios continuam a ser os mesmos. Muitos destes seres fantásticos sobrevivem ainda hoje na imaginação popular. O Erlkoening, que Goethe, tirou de uma velha balada dinamarquesa, o "Rei dos Elfos", ainda hodiernamente será capaz de fazer tremer muitas pessoas esclarecidas, tão comummente se gravou no subconsciente do povo essas estranhas tradições demoníacas. A lista desses demónios seria longa; há o espírito das montanhas, o Rübezahl, há o Watzmann, há os gigantescos Dovrefjeld das rudes montanhas da Noruega; há serpente de Midgard, o lobo Fenrir, o Wilde Jäger, "O caçador Selvagem" e muitos outros.

DER RING DES NIBELUNGEN
(O Anel dos Nibelungos) Tetralogia operística de Richard Wagner, composta por quatro óperas que, apesar de poderem ser vistas separadamente, estão ligadas, formando uma história contínua. Para escrever o libreto, Wagner baseou-se em várias fontes, o "Nibelungenlied", o "Edda" e a "Volsunga Saga". A primeira ópera intitula-se "Das Rheingold" (O Ouro do Reno) e abre com uma cena no fundo do rio Reno, onde um monte feito de ouro é guardado pelas três Donzelas do Reno (Woglinde, Wellgunde e Flosshilde). O ouro é capaz de dar a quem o possuir imenso poder, desde que essa pessoa renegue o amor. O anão Alberich faz exactamente isto, apodera-se do ouro e faz com ele um anel mágico. Enquanto isto, os dois gigantes, Fasolt e Fafner, que acabaram de construir Valhalla para os deuses, agora pedem o pagamento: a deusa Freyja. No lugar de Freyja, os deuses propõe aos gigantes dar-lhes o ouro do reno e o anel mágico que confere poder. Wotan (Odin) e Loki confiscam o ouro e o anel de Alberich, mas não sem antes Alberich amaldiçoar o anel. O ouro é dado aos gigantes, mas Wotan está hesitante em separar-se do anel amaldiçoado. Erda, a deusa da Terra faz uma predição do fim dos deuses no Ragnarok. Wotan cede, dá o anel para os gigantes e a maldição causa logo efeito, pois Fafter mata Fasolt e transforma a si mesmo num dragão que passa a guardar o ouro. Os deuses, então, sobem pela Ponte do Arco-Íris em direcção a Asgard.
A segunda ópera se chama "Die Walküre" (A Valquíria). Planejando recuperar o ouro do reno, Wotan cria na Terra uma raça de semideuses da qual deverá sair o herói capaz de tal feito. Desta raça sobressaem-se os irmãos Siegmund e Sieglinde, que crescem separados, sem saber da existência um do outro. Quando eles finalmente se encontram, Sieglinde já é casada com com Hunding. Os dois irmãos apaixonam-se e fogem, deixando furiosa a esposa de Wotan, Fricka (Frigg), que é a deusa do matrimónio e sente-se pessoalmente ultrajada. Fricka exige que Wotan mate Siegmund. A contragosto, Wotan aquiesce e manda que Brünnhilde traga Siegmund para Valhalla. Sabendo do desgosto de Wotan, Brünnhilde resolve proteger Siegmund, o que deixa Wotan furioso e este faz com que Hunding mate o herói, enquanto Brünnhilde foge levando Sieglinde já prestes a dar a luz a Siegfried. Como punição por sua desobediência, Brünnhilde perde sua imortalidade e Wotan fá-la dormir no alto de uma montanha cercada por um fogo mágico que só poderá ser vencido por um herói destemido. Esse herói será Siegfried.
A terceira ópera intitula-se "Siegfried." Depois da morte de sua mãe, Siegfried é criado pelo anão Mime. Siegfried odeia Mime, mesmo sem saber que Mime o está criando apenas para que ele, quando crescer, mate o dragão Fafner de modo que ele, Mime, possa apoderar-se do anel mágico. Siegfried forja os pedaços de Nottung, a espada mágica de seu pai e recupera-a. Com ela, ele mata o dragão Fafner. Um pingo do sangue do dragão cai na mão de Siegfried e este leva-a à boca. Imediatamente, Siegfried passa a compreender a linguagem dos pássaros. Estes contam-lhe sobre a existência do anel no interior da caverna e sobre as intenções malévolas de Mime. Siegfried apodera-se do anel e mata Mime. Os pássaros falam-lhe, então, sobre a mulher encantada que dorme no alto da montanha cercada de fogo. O herói, então, parte para lá, atravessa o fogo e desperta Brünnhilde para com ela casar-se. A ópera termina com um maravilhoso dueto de amor entre Brünnhilde e Siegfried. Entretanto, o herói tem no dedo o anel amaldiçoado.
A última ópera chama-se "Götterdämmerung" (O Crepúsculo dos Deuses). Siegfried deixa o anel com Brünnhilde e desce o reno em busca de aventura. Ele chega ao castelo de Gunther que lá vive com sua irmã Gutrune e seu meio-irmão Hagen, que é filho do anão Alberich - e que, naturalmente, cobiça o anel feito por seu pai. Hagen dá a Siegfried uma poção mágica que faz com que este esqueça-se de Brünnhilde e apaixone-se por Gutrune. Em troca da mão de Gutrune, Hagen propõe que Siegfried consiga para Gunther a mão de Brünnhilde. Com um elmo mágico, Siegfried assume a aparência de Gunther que, atravessando o fogo, reclama a mão da Valquíria. Mais tarde, no castelo de Gunther, Brünnhilde acusa Siegfried de infidelidade e ambos juram sobre a lança de Hagen estar dizendo a verdade. Numa caçada, Siegfried é morto por Hagen, pelas costas, e é levado de volta para o castelo ao som de uma maravilhosa Marcha Fúnebre. Siegfried é colocado sobre uma pira para ser cremado. A Valquíria tira o anel do dedo do herói e o põe em seu próprio dedo. Quando as chamas começam a devorar o corpo de Siegfried, Brünnhilde lança-se nas chamas e morre com ele. O rio sobe até eles e as Donzelas do Reno tiram o anel do dedo de Brünnhilde. Hagen pula na água tentando recuperar o anel e morre afogado. A ópera termina com uma visão do céu em chamas e Valhalla sendo consumida pelo fogo. É o fim do reino dos deuses. É a chegada do Ragnarok.
Toda pessoa que gosta de mitologia deve ver esta obra de Wagner. É uma história belíssima de deuses e heróis, sublinhada por uma música absolutamente divina.


DELLING
Elfos Vermelhos do amanhecer ou leste, amante de Nott ou Nat.


DISIR
Seres Sobrenaturais. V. Hamingja.


DOVREFJELD
Espírito das montanhas da Noruega.


DRAUPNIR
Anel mágico (segundo alguns, é uma bracelete) feito pelos anões para o deus Odin. Draupnir tem por característica produzir, a cada nona noite, oito anéis de igual peso. É um símbolo de riqueza e fartura.


DRÜCKGEISTER
V. Espíritos de Opressão.


DROMI
Nome da segunda corrente confeccionada pelos deuses para tentar prender o lobo Fenrir.


DVALIN
Soberano dos anões.

EDDAS
Designa-se pelo nome de Eddas (que significa "bisavó") duas colecções de tradições que abrangem a mitologia escandinava e que narram as sagas dos deuses nórdicos.. O primeiro Edda, escrito em verso, traz o nome de Soemond Sigfusson (Soemond, "O Sábio"), sacerdote do século Xl, que quis conservar as ruínas das velhas crenças nacionais e pagãs. Nada prova que os 35 poemas que cantam os deuses e ou heróis foram compostos nos séculos VIII - IX e reunidos no século XI pelo diligente Soemond. O segundo Edda em prosa é atribuído a Snorri Sturleson, que comentou o Edda poético, preenchendo lacunas e apresentando uma exposição mais completa dos dogmas religiosos da Escandinávia, pôr volta de 1.200. Esta nova compilação abrange uma parte poética (espécie de Gradus ad Parnassum ) para uso dos jovens escaldas, e lendas mitológicas e heróicas que completam as da obra mais antiga. é no meio dessas obras que se encontram os elementos que formaram os Nibelungen e as canções de gesta dos povos nórdicos.
Os Eddas foram encontrados no século XVII na Islândia; o manuscrito mais completo, actualmente, é o de Worms, encontrado em 1628.


EINHERJAR
São os heróis mortos em batalhas que são recolhidos pelas Valquírias e levados para Valhalla, onde eles passam os dias fazendo justas entre si e as noites banqueteando-se no grande salão, presididos pelo próprio Odin. Os Einherjar serão accionados no Ragnarok para lutar ao lado de Odin contra as forças do mal.


ELFISCHE GEITER
"Espíritos Élficos", seres sobre-humanos que habitavam a natureza e os elementos; em geral são passivos e benévolos para com os homens; podem, porém, trazer grandes desgraças aos mortais, quando são repelidos - V. Elfos.


ELFOS
Chamavam-se Elfos, no uso antigo das línguas germânicas, seres associados à vida da natureza e que o povo julgava residir nas águas, nos bosques, nas montanhas e, mesmo, no seio das flores; suas relações com os homens são diversamente descritas. A poesia inglesa da Idade Média os mostra como criaturas aéreas e luminosas, cheias de doçura e bondade; já os alemães da Germânica deles tinham receio, bem como o povo do extremo Norte (Dinamarca), pois acreditavam que eles podiam se irritar, às vezes sem motivo ou causa aparente. Os Elfos viviam em sociedade, como os homens; possuíam reis, que eram sumamente respeitados; amavam jogos e as danças, comummente passavam a noite em bailes infatigáveis que só cessavam com o canto do galo, pois temiam a luz e o olhar do homem. Aquele que, numa noite enluarada, nas terras solitárias e descampadas, se deixasse fascinar por uma filha dos Elfos, estava perdido para sempre; em geral, porém, suas danças não tinham testemunhas; de manhã percebia-se apenas, na erva húmida o traço ligeiro dos seus pezinhos - V. Elfische Geister.


ELLI
(A Velhice) Durante uma visita a Jotunheim, Thor é instado a lutar com ela (sem saber de quem se trata) e quase consegue vencê-la. A saga demonstra o extraordinário poder de Thor.


EMBLA
A primeira mulher, esposa de Askr, a mãe do género humano, a Eva germânica, criada por Odin, Honir e Lodur.


ESPÍRITOS DE OPRESSÃO
Os Drückgeister eram, em geral hostis aos homens e eram representados pelos espíritos dos mortos. Os germanos chamavam-nos com os mais diversos nomes: Mare, Alp, Trude... Propriedade comum entre eles era atormentar e sufocar o homem, no que, parece, encontram grande prazer, às vezes apareciam em forma humana, não raro sob a figura de animais, as almas das criancinhas mostravam-se em forma de ave ou borboleta; as almas das donzelas ocultavam-se de preferência sob a forma dum majestoso cisne. O lobisomem e os Berserker eram espíritos de opressão particularmente temidos.


EITRI
Anão, irmão de Brokk, que trabalha com metal. Veja Brokk.


ETZEL
Personagem que aparece na epopeia germânica Nibelungos.


FARBAUTI
Gigante, pai de Loki.


FAFNIR
Filho de um mágico/fazendeiro, transformou-se num dragão por causa da sua ambição pelo tesouro de ouro. Fafnir foi morto por Sigurd.


FARBAUTI
Gigante de fogo. Pai de loki.


FENRIR
Cria de Loki com a giganta Angrboda. É um lobo monstruoso que é acorrentado pelos deuses até o advento do Ragnarok, quando ele se soltará e causará grande devastação antes de devorar o próprio Odin.


FJALAR
Um anão irmão de Galar; eles mataram Kvasir e fizeram com seu sangue o hidromel da poesia.


FONTE DE HVERGELNIR
Fonte que situa-se na base da terceira raiz de Yggdrasil, a que mergulha em Niflheim. Esta fonte dá origem a onze rios.


FONTE DE MIMIR
Fonte que situa-se na base da segunda raiz de Yggdrasill, a que mergulha em Jotunheim. As águas desta fonte dão sabedoria a quem delas bebe. Odin deu um dos seus próprios olhos para ter o privilégio.


FREKI
Nome de um dos dois lobos de Odin - o outro chama-se Geri. Consta que os lobos estão sempre com Odin e que quando este está à mesa, ele lhes dá toda carne com que é servido, já que ele só se alimenta de hidromel.


FREYJA
Irmã de Freyr, é a mais famosa das deusas e protectora do amor e da feitiçaria. Compartilhou com Odin a morte em batalha, recebendo o primeiro golpe.


FREYR
Filho de Njord, é o patrono da fertilidade, o soberano do reino dos duendes responsáveis pelo crescimento da vegetação.


FRIGG
Esposa de Odin. Deusa da Fertilidade, versão da mãe Terra. É associada a Nerthus (Idade do bronze). É conhecida por sua sabedoria e por nunca revelar nada a ninguém, nem mesmo ao seu esposo. É representada por uma sacerdotisa nua de cabelos longos, usando um torc (colar de ouro) e pulseiras nos braços e pernas.


FULLA
Irmã de Frigg. Cuida da caixa mágica de Frigg. Pode ter sido uma das Asynjor.


GARM
Grande cão que é acorrentado pelos deuses numa caverna na entrada de Niflheim. Ele se libertará com o Ragnarok e atacará o deus Tyr. Na luta, ambos morrerão.


GERD
Giganta de gelo cuja beleza encantou o deus Freyr que acabou por desposá-la.


GERI
Nome de um dos dois lobos de Odin - o outro chama-se Freki. Consta que os lobos estão sempre com Odin e que quando este está à mesa, ele lhes dá toda carne com que é servido, já que ele só se alimenta de hidromel.


GIGANTES
Foram criados antes dos deuses. Como na mitologia grega, representam o caos que os deuses eliminam e implantam a ordem.


GIMLI
Salão de telhado dourado em Asgard para os homens justos após a morte.


GINNUNGAGAP
Na cosmogênese nórdica, é o abismo que havia entre o gelo do norte e o fogo do sul. Neste abismo, cheio do gelo derretido pelo fogo, surgiu a vida.


GJALL
A grande trompa pertencente ao deus Heimdall e que ele fará soar para convocar os deuses para a batalha final entre o bem e o mal com o advento do Ragnarok.


GJALLARBRU
A "Ponte ressonante". A ponte que Hermod atravessou a caminho do reino de Hell na sua busca por Balder.


GLADSHEIM
(Lugar de Alegria) É o santuário dos deuses na Planície de Ida, em Asgard.


GLEIPNIR
Corrente feita pelos anões para prender o lobo Fenrir. Ela parece uma fita de seda; porém, depois de amarrado com ela, quanto mais Fenrir luta para livrar-se, mais forte ela fica e mais ele se enreda.


GNA
Serva de Frigg e uma Asynjor. Uma mensageira; seu cavalo chama-se Hofvarpnir.


GRID
Giganta que advertiu Thor sobre o encontro de Geirrod e Loki. E deu a Thor um cinto mágico e um par de luvas de ferro.


GRIMNIR
Disfarce usado por Odin ao visitar a corte de um rei. Usando um desgastado casaco azul e um grande chapéu. Os cães do rei não o atacaram.


GULLFAXI
"Crina Dourada"; cavalo do gigante Hrungnir, poderia galopar através do ar. Thor conseguiu-o quando matou o gigante, mas deu o cavalo a seu filho Magni.


GULLINBURSTI
"Pelo Dourado"; um Javali feito pelos anões e dado a Freyr para puxar sua carruagem em uma velocidade fantástica.


GULLINKAMBI
Nome do galo que desperta os Einherjar em Valhalla. Ele cantará também como alarme para os deuses com a chegada do Ragnarok.


GULLTOP
Cavalo de crina dourada de Heimdall; pode voar com velocidade grande.


GUNGNIR
Nome da lança mágica de Odin. Gungnir foi feita pelos anões e tem a seguinte peculiaridade: jamais erra o alvo.


GUNNLOD / GUNNLAUTH / GUNNLOED
Giganta filha de Suttung; guarda o hidromel da poesia em uma caverna no submundo.


GYMIR
Gigante pai de Gerd, esposa de Freyr.


HAMINGJUR
Eternos guardiães dos seres humanos, parecem dar o aviso e/ou conselhos através de sonhos. Similares aos anjos guardiães.


HARBARD
Disfarce de barqueiro usado por Odin.


HATI
Lobo que persegue a lua e que vai conseguir devorá-la no Ragnarok.


HEIDRUN
A cabra que pasta à sombra da imensa árvore Yggdrasil; seu leite alimenta os guerreiros de Odin.


HEIMDAL
É o deus brilhante, guardião da ponte do arco-íris que conduz à Asgard e possuidor do Gjallanhorn que ele sopra na batalha de Ragnarök (crepúsculo dos deuses). Sua audição é tão sensível que ele pode ouvir a relva brotando e a lã crescendo no dorso de uma ovelha.


HEL
Cria monstruosa de Loki com a giganta Angrboda. Hel é metade branca e metade negra. Odin precipitou-a no mundo dos mortos para ser a sua guardiã.


HEL
Cidadela que fica em Niflheim, o reino dos mortos. Os mortos em geral vão para Niflheim, mas os maus vão directo para Hel.


HELGRID
"Portão da morte"; barreira entre os mundos dos vivos e dos mortos.


HILDISVINI
"Porca de batalha"; porca que pertence a Freyja; viaja em grande velocidade.


HIMINBJORG
(Penhascos do Céu): Nome do palácio do deus Heimdall em Asgard. Himinbjorg fica perto de Bifrost, a Ponte do Arco-Íris.


HLIDSKJALF
Nome do trono de Odin em seu palácio Valaskjalf, em Asgard. Sentado em seu trono, Odin consegue ver o que acontece em todos os nove mundos.


HREIDMAR
Mágico/Fazendeiro pai de Fafnir.


HRUNGNIR
Gigante que competiu com Odin. Quando Thor o matou, uma parte da pedra de amolar do gigante alojou-se na cabeça de Thor.


HUGINN (Pensamento, Entendimento)
Um dos dois corvos de Odin - o outro se chama Muninn (Memória). Os corvos voam pelos nove mundos e, ao voltar, dizem no ouvido de Odin tudo o que viram e ouviram.


HYDNDLA
Giganta que guarda a lista genealógica e a cerveja da memoria.


HYMIR
Gigante que possuía um imenso caldeirão com 5 milhas de profundidade o qual foi confiscado por Thor para nele ser preparada a cerveja dos deuses.


HYRROKIN
Giganta que lançou o barco funeral de Balder. Monta um lobo e usa uma serpente como rédea.


IDA, PLANÍCIE DE
Grande planície central de Asgard, onde fica situado o santuário dos deuses chamado Gladsheim.


IDUN
Deusa da saúde e mulher de Bragi, deus da poesia. Ela é responsável pela saúde dos deuses, que precisavam comer uma maçã por dia, vinda de seu cofre de madeira de freixo, para manterem sua juventude e força.


IRON WOOD
Uma floresta escura e velha em Midgard; habitado pela mãe de Hati e de Skoll.


IVALDI
Também chamado de Vidfinner e Svigdar. Sua família era uma das duas famílias de Elfos ferreiros de metais que trabalhavam em Asgard.


JARNSAXA
Giganta amante de Thor e mãe de seus filhos Magni e Modi. Possivelmente poderia ser uma Asynjor.


JORD / JORTH
"Terra"; giganta mãe de Thor.


JORMUNGAND
Cria monstruosa de Loki com a giganta Angrboda. É uma serpente gigantesca que, logo que nasceu, foi precipitada por Odin no oceano que circunda Midgard. A serpente cresceu tanto que contorna toda a Terra até morder a própria cauda.


JOTUNHEIM
Reino dos gigantes, que fica em Midgard. Sua cidadela é Utgard. Várias sagas dos deuses têm Jotunheim como palco.


KOBOLDS
Pequenos seres humanos que vivem dentro ou próximos de celeiros ou estábulos. Se tratados amavelmente, são amigáveis.


KVASIR
Um ser humano sábio criado pelos deuses. O Hidromel da poesia foi feito do seu sangue.


LAEDING
Nome da primeira corrente com que os deuses tentam, sem sucesso, prender o lobo Fenrir.


LAUFEY
Giganta de fogo mãe de Loki, seu nome significa "Ilha arborizada".


LIF
Homem que surgirá de dentro da grande árvore Yggdrasill após o Ragnarok e que, com a mulher Lifthrasir, também surgida da árvore, repovoará a Terra.


LIFTHRASIR
Ver Lif.


LOGI
Gigante que aparece junto do mágico Utgardloki. Bateu Loki num concurso de voracidade. Representava a chama, cujo o apetite cresce à medida que é alimentado.


LOKI
Deus do fogo, irmão de sangue de Odin, trapaceiro do panteão, é o bom e o mau em uma só pessoa. Tem descendência dos povos gigantes. Seu dia: sábado.


LYNGVI
É uma ilha situada no centro do Lago Amsvartnir, onde o lobo Fenrir, é acorrentado pelos deuses até o advento do Ragnarok.


MAGNI
Filho de Thor e da giganta Jarnsaxa. Ele e seu irmão Modi herdarão Mjollnir, o martelo de Thor, após o Ragnarok.


MIDGARD
A Terra do Meio. É o segundo nível do universo, segundo os povos nórdicos. Os três níveis são: Asgard, o reino dos deuses; Midgard, o reino dos homens; e Niflheim, o reino dos mortos.


MIMIR
Gigante, guardião da Fonte da Sabedoria e amigo de Odin.


MJOLLNIR
Nome do martelo do deus Thor. Mjollnir foi feito pelos anões Brokk e Eitri. O martelo tem a característica maravilhosa de, quando lançado contra um inimigo, retornar, como um bomerangue, à mão de Thor. É a única arma usada por Thor. Mjollnir é um símbolo de destruição, como maça usada na guerra, mas é também um símbolo de fertilidade.


MODGUD
A virgem que guarda a ponte sobre o caminho de Hel.


MODI
Filho de Thor e da giganta Jarnsaxa. Grande guerreiro. Ele e o seu irmão Magni herdarão Mjollnir, o martelo de Thor, após o Ragnarok.


MUNINN (Memória)
Um dos dois corvos de Odin - o outro é Huginn (Pensamento, Entendimento). Os corvos voam pelos nove mundos e, ao voltar, dizem no ouvido de Odin tudo o que viram e ouviram.


MUSPELHEIM
Reino de fogo situado ao sul. Do seu encontro com o gelo de Niflheim, situado ao norte, é que resultou na criação da vida no começo dos tempos.


NARFI
Filho de Loki e Signy.


NIDAVELLIR
Terra dos anões. Situada em Midgard.


NIDHOGG
Dragão que roí a raiz de Yggdrasill que mergulha em Niflheim. Quando o dragão começa a prejudicar a árvore, a águia, que fica no topo desta, desce voando e ataca o dragão. Enquanto Nidhogg lambe as feridas para curá-las, Yggdrasill tem tempo de se recuperar-se - e aí começa um novo ciclo.


NIFLHEIM
O terceiro nível do universo concebido pelos povos nórdicos. Os três níveis são: Asgard, o reino dos deuses; Midgard, o reino dos homens; e Niflheim, o mundo dos mortos também, o país do gelo e das trevas. Aí, em companhia dos mortos, só podem viver os gigantes e os anões. A rainha dessa sombria região é a deusa Hel. A entrada era guardada pelo terrível cão chamado Garm. Niflheim é o lugar para onde vão todos os que não são mortos em batalha.


NJORD
É o Deus do mar e o protector dos marinheiros e dos pescadores. Representação paterna do Vanir, ele é o concessor das riquezas e um corajoso guerreiro. Casado com a Deusa Skadi.


NOTT/NAT
"Noite ". Filha do Mimir e da irmã de Urd; mãe de Jord e de avó de Thor. Seu amante é Delling, Elfo vermelho do alvorecer, e seu filho é Dag (dia). Traz o alivio e inspiração aos seres humanos.


NORNES
Deusas do destino: Urd, Verdandi e Skuld. São as três irmãs que tecem o destino dos homens em seus teares. Guardam a Yggdrasill, a árvore do mundo, que sustenta a Terra. Todas as manhãs fazem chover hidromel sobre suas raízes, para que as folhas permaneçam verdes. São representadas pela virgem, a mãe e a anciã. Urd é muito velha e vive olhando para trás, por sobre os ombros. Verdandi é uma jovem e olha sempre para o presente e finalmente Skuld, vive encapuçada e possui um pergaminho fechado sobre seu regaço, que contém os segredos do futuro.


ODIN
Pai de todos, protector dos poetas, dos guerreiros, dos estadistas e o Deus da morte, da Guerra e da Magia. Carrega a lança Gungnir que nunca erra o alvo e que no cabo, tem runas gravadas, que ditam a preservação da lei. Cavalga o garanhão de oito patas Sleiphir e reúne guerreiros para lutarem com ele. Conquistou as runas , alfabeto nórdico, para a humanidade através de um acto de sacrifício pessoal e trocou o seu olho direito por sabedoria. Seu dia: quarta-feira.


POÇO DE URD
Poço que fica situado junto à raiz de Yggdrasill que mergulha em Asgard. Ele é guardado pelas Nornas e junto a ele os deuses se reunem todos os dias em conselho.


RAGNAROK (O Crepúsculo dos Deuses)
É o final dos tempos, quando haverá a grande luta final entre o Bem e o Mal, na grande planície de Vigrid. O primeiro grande sinal da aproximação do Ragnarok é a morte de Balder. Na época fatal, a terra tremerá, Loki e Fenrir libertar-se-ão das correntes que os prendem e, com seus aliados, começarão a grande devastação. Heimdall soará sua grande trompa Gjall, convocando os deuses para a grande batalha. Odin reunirá os deuses e os Einherjar, os heróis mortos em batalha e que esperam em Valhalla por esse dia para lutar ao lado dos deuses. Ragnarok será o fim do mundo dos deuses e dos homens. Depois, haverá um renascimento.


RATATOSK
Nome do esquilo que corre para cima e para baixo ao longo da raiz de Yggdrasill que mergulha em Niflheim. Ele leva insultos do dragão Nidhogg para a águia que fica no alto da árvore.


RINGHORN
É o grande navio do deus Balder. Dentro dele é colocada a pira que consome o corpo do deus depois que este é morto pelas maquinações de Loki.


SESSRUMIR
Nome do palácio da deusa Freyja em Asgard.


SIEGFRIED
Na saga dos Nibelungos, é o filho de Siegmund e de Sieglinde. Grande herói que restaura Nottung, a espada de seu pai, mata o dragão Fafner e conquista a Valquíria Brünnhilde. Siegfried é morto, pelas costas, por Hagen.



SIEGMUND
Na saga dos Nibelungos, é um Wälsung, descende de Odin. Grande guerreiro que brandia a espada mágica Nottung. Antes de morrer, Sigmund enfrenta Odin (sem saber que era ele) e quebra Nottung contra a lança do deus. Sigmund pede que os pedaços da espada sejam guardados para que seu filho um dia restaure-a. O nome do filho é Siegfried.


SINDRI
Palácio que surgirá com o renascimento após o Ragnarok.


SKIDBLADNIR
Gigantesco navio pertencente ao deus Freyr que tinha a peculiar característica de poder ser dobrado e guardado no bolso.


SKOLL
Lobo que persegue o sol e que, no Ragnarok, consegue finalmente alcançá-lo e devorá-lo.


SLEIPNIR
Cavalo de oito pernas, cria de Loki. Loki deu-o de presente a Odin que, desde então, cavalga pelos céus montado nesse veloz ginete.


SURT
Gigante de fogo que guarda Muspelheim. Em Ragnarok, Surt lançará fogo nos nove mundos.


SVARTALFHEIM
Reino dos Elfos Escuros. Fica situado em Midgard.


TANNGNOST E TANNGRISNI
Os dois bodes que puxam a carruagem de Thor.


THOR
Deus do trovão, filho de Odin. Sua arma, o martelo de pedra Mijollnir. Thor é invocado nas mágicas rúnicas como força vingadora. Casou-se com a Deusa Sif, do trigo. Seu dia: quinta-feira.


TYR
É o Deus do combate, o general do panteão, ao passo que Thor é mais o guerreiro e Odin, o estadista. Seu dia: Terça-feira.


UTGARD
Cidadela principal de Jotunheim. É governada pelo gigante Utgard-Loki.


UTGARD-LOKI
Gigante rei de Utgard. É um mestre da magia e da ilusão. Ele consegue enganar Thor quando este visita Jotunheim.


VALASKJALF
Nome do palácio de Odin em Asgard.


VALHALLA: Grande palácio em Asgard onde os Einherjar (os guerreiros mortos em batalha e para lá levados pelas Valquírias) esperam a chegada do Ragnarok. Enquanto eles esperam, os Einherjar passam os dias em justas entre si e as noites banqueteando-se no grande salão, supervisionados pelo próprio Odin. Valhalla é descrito como o palácio mais maravilhosa de toda Asgard.


VALKYRIAS
Mulheres que apareciam para os guerreiros que iam morrer e ficavam invisíveis para os demais.


VANAHEIM
O reino da raça de deuses Vanir em Asgard.


VANIR
Raça de deuses da fertilidade que, depois de vencidos em uma grande batalha com os Aesir, foram incorporados a esses.


VIGRID
Grande planície em Asgard onde acontecerá a grande batalha final entre o Bem e o Mal.


YMIR
Gigante de gelo que surgiu no começo dos tempos. Ele surgiu do encontro do gelo do norte com o fogo do sul, no abismo chamado Ginnungagap. Ymir foi o primeiro ser vivo, juntamente com a vaca Audumla. Mais tarde, os irmãos Odin, Vili e Ve matam Ymir e, do seu corpo, eles criam os nove mundos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Cortiço

O Cortiço - resumo e análise da obra de Aluísio de Azevedo

Tendo como cenário uma habitação coletiva, o romance difunde as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico
Ao ser lançado, em 1890, O Cortiço teve boa recepção da crítica, chegando a obscurecer escritores do nível de Machado de Assis. Isso se deve ao fato de Aluísio de Azevedo estar mais em sintonia com a doutrina naturalista, que gozava de grande prestígio na Europa. O livro é composto de 23 capítulos, que relatam a vida em uma habitação coletiva de pessoas pobres (cortiço) na cidade do Rio de Janeiro.
O romance tornou-se peça-chave para o melhor entendimento do Brasil do século XIX. Evidentemente, como obra literária, ele não pode ser entendido como um documento histórico da época. Mas não há como ignorar que a ideologia e as relações sociais representadas de modo fictício em O Cortiço estavam muito presentes no país.

RIGOR CIENTÍFICO Essa criação de Aluísio de Azevedo tem como influência maior o romance L’Assommoir, do escritor francês Émile Zola, que prescreve um rigor científico na representação da realidade. A intenção do método naturalista era fazer uma crítica contundente e coerente de uma realidade corrompida. Zola e, neste caso, Aluísio combatem, como princípio teórico, a degradação causada pela mistura de raças.
Por isso, os dois romances naturalistas são constituídos de espaços nos quais convivem desvalidos de várias etnias. Esses espaços se tornam personagens do romance.

É o caso do cortiço, que se projeta na obra mais do que os próprios personagens que ali vivem. Um exemplo pode ser visto no seguinte trecho:

“E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.”

O narrador compara o cortiço a uma estrutura biológica (floresta), um organismo vivo que cresce e se desenvolve, aumentando as forças daninhas e determinando o caráter moral de quem habita seu interior.

NARRADOR A obra é narrada em terceira pessoa, com narrador onisciente (que tem conhecimento de tudo), como propunha o movimento naturalista. O narrador tem poder total na estrutura do romance: entra no pensamento dos personagens, faz julgamentos e tenta comprovar, como se fosse um cientista, as influências do meio, da raça e do momento histórico.

O foco da narração, a princípio, mantém uma aparência de imparcialidade, como se o narrador se apartasse, à semelhança de um deus, do mundo por ele criado. No entanto, isso é ilusório, porque o procedimento de representar a realidade de forma objetiva já configura uma posição ideologicamente tendenciosa.

TEMPO
Em O Cortiço, o tempo é trabalhado de maneira linear, com princípio, meio e desfecho da narrativa. A história se desenrola no Brasil do século XIX, sem precisão de datas. Há, no entanto, que ressaltar a relação do tempo com o desenvolvimento do cortiço e com o enriquecimento de João Romão.

ESPAÇO
São dois os espaços explorados na obra. O primeiro é o cortiço, amontoado de casebres mal-arranjados, onde os pobres vivem. Esse espaço representa a mistura de raças e a promiscuidade das classes baixas. Funciona como um organismo vivo. Junto ao cortiço estão a pedreira e a taverna do português João Romão.

O segundo espaço, que fica ao lado do cortiço, é o sobrado aristocratizante do comerciante Miranda e de sua família. O sobrado representa a burguesia ascendente do século XIX. Esses espaços fictícios são enquadrados no cenário do bairro de Botafogo, explorando a exuberante natureza local como meio determinante. Dessa maneira, o sol abrasador do litoral americano funciona como elemento corruptor do homem local.


ENREDO O livro narra inicialmente a saga de João Romão rumo ao enriquecimento. Para acumular capital, ele explora os empregados e se utiliza até do furto para conseguir atingir seus objetivos. João Romão é o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso.

Em oposição a João Romão, surge a figura de Miranda, o comerciante bem estabelecido que cria uma disputa acirrada com o taverneiro por uma braça de terra que deseja comprar para aumentar seu quintal. Não havendo consenso, há o rompimento provisório de relações entre os dois.

Com inveja de Miranda, que possui condição social mais elevada, João Romão trabalha ardorosamente e passa por privações para enriquecer mais que seu oponente. Um fato, no entanto, muda a perspectiva do dono do cortiço. Quando Miranda recebe o título de barão, João Romão entende que não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, freqüentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa.

No cortiço, paralelamente, estão os moradores de menor ambição financeira. Destacam-se Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana. Opera-se uma transformação no português trabalhador, que muda todos os seus hábitos.

A relação entre Miranda e João Romão melhora quando o comerciante recebe o título de barão e passa a ter superioridade garantida sobre o oponente. Para imitar as conquistas do rival, João Romão promove várias mudanças na estalagem, que agora ostenta ares aristocráticos.
O cortiço todo também muda, perdendo o caráter desorganizado e miserável para se transformar na Vila João Romão.

O dono do cortiço aproxima-se da família de Miranda e pede a mão da filha do comerciante em casamento. Há, no entanto, o empecilho representado por Bertoleza, que, percebendo as manobras de Romão para se livrar dela, exige usufruir os bens acumulados a seu lado.
Para se ver livre da amante, que atrapalha seus planos de ascensão social, Romão a denuncia a seus donos como escrava fugida. Em um gesto de desespero, prestes a ser capturada, Bertoleza comete o suicídio, deixando o caminho livre para o casamento de Romão.

ALEGORIA DO BRASIL
Mais do que empregar os preceitos do naturalismo, a obra mostra práticas recorrentes no Brasil do século XIX. Na situação de capitalismo incipiente, o explorador vivia muito próximo ao explorado, daí a estalagem de João Romão estar junto aos pobres moradores do cortiço. Ao lado, o burguês Miranda, de projeção social mais elevada que João Romão, vive em seu palacete com ares aristocráticos e teme o crescimento do cortiço. Por isso pode-se dizer que O Cortiço não é somente um romance naturalista, mas uma alegoria do Brasil.

O autor naturalista tinha uma tese a sustentar sua história. A intenção era provar, por meio da obra literária, como o meio, a raça e a história determinam o homem e o levam à degenerescência.
A obra está a serviço de um argumento. Aluísio se propõe a mostrar que a mistura de raças em um mesmo meio desemboca na promiscuidade sexual, moral e na completa degradação humana. Mas, para além disso, o livro apresenta outras questões pertinentes para pensar o Brasil, que ainda são atuais, como a imensa desigualdade social.

Iracema

"Iracema" - Leia os trechos comentados do livro de José de Alencar

Trecho 1
“– Neste momento, Tupã não é contigo! replicou o chefe. O Pajé riu; e seu riso sinistro reboou pelo espaço como o regougo da ariranha. – Ouve seu trovão e treme em teu seio, guerreiro, como a terra em sua profundeza. Araquém proferindo essa palavra terrível, avançou até o meio da cabana; ali ergueu a grande pedra e calcou o pé com força no chão; súbito, abriu-se a terra. Do antro profundo saiu um medonho gemido, que parecia arrancado das entranhas do rochedo. Irapuã não tremeu, nem enfiou de susto; mas sentiu estremecer a luz nos olhos, e a voz nos lábios. – O senhor do trovão é por ti; o senhor da guerra será por Irapuã: disse o chefe. O torvo guerreiro deixou a cabana (...)”.
Comentário
O pajé Araquém salva Martim das garras do impiedoso Irapuã graças a um interessante estratagema. A cabana do pajé era construída sobre uma galeria subterrânea, cuja entrada, secreta, ficava fechada com uma pedra. Quando Araquém quis provar que Tupã, o deus do trovão, estava com ele, retirou a pedra enquanto batia com o pé no chão. Ao ver o grande buraco e ouvir o som do ar que saía da galeria, Irapuã julgou ser aquele um poder sobrenatural, o poder de um deus que ele – mero mortal, apesar de valoroso guerreiro – não poderia enfrentar.



Trecho 2“Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu.”

Comentário Na descrição do primeiro encontro entre Martim e Iracema, a índia está dormindo após ter se banhado e acorda com um ruído que o deslumbrado Martim produzira. O amor do colonizador e da índia está sempre perto do sono – como na cena da perda da virgindade – e, nesse caso, duplamente próximo do sono, uma vez que Martim é flechado por Iracema e fica à beira da morte, entregue aos braços protetores da amada. Iracema é como a deusa Diana, que, ao ser flagrada nua por Ácteon, castiga violentamente o furtivo visitante. Mas é ainda uma Diana às avessas, uma vez que o castigo de Martim é também uma bênção. Um amor tão intenso só poderia nascer de forma equivalente. O platonismo da situação é evidente, e a flecha de Iracema é como a flecha de Cupido, símbolo de um amor fatal.

Dom Casmurro

Dom Casmurro, de Machado de Assis, traz memórias de um personagem amargurado que acredita ter sido traído pela mulher

Bento Santiago, o amargurado e solitário personagem-narrador, diz ter sido traído por Capitu. Esse suposto adultério é pano de fundo para que Machado de Assis introduza de forma inovadora questões relativas à situação da mulher
Publicado pela primeira vez em 1899, Dom Casmurro é uma das grandes obras de Machado de Assis e confirma o olhar certeiro e crítico que o autor estendia sobre toda a sociedade brasileira. Também a temática do ciúme, abordada com brilhantismo nesse livro, provoca polêmicas em torno do caráter de uma das principais personagens femininas da litera-tura brasileira: Capitu.

MUITAS LEITURAS
Há uma discussão em torno da obra que alimenta os espíritos mais inflamados: Capitu traiu ou não seu marido Bento Santiago, o Bentinho?

O romance, entretanto, presta-se a muitas leituras, e é interessante ver como a recepção ao livro se modificou com o passar do tempo. Quando foi lançado, era visto como o relato inquestionável de uma situação de adultério, do ponto de vista do marido traído. Depois dos anos 1960, quando questões relativas aos direitos da mulher assumiram importância maior em todo o mundo, surgiram interpretações que indicavam outra possibilidade: a de que a narrativa pudesse ser expressão de um ciúme doentio, que cega o narrador e o faz conceber uma situação imaginária de traição.
Machado de Assis, autor sutil e de penetração aguda em questões sociais, arma o problema e testa seu leitor. É impressionante como isso vale ainda hoje, mais de um século depois do lançamento do livro. O romance é a história de um homem de posses que ama uma moça pobre e esperta e se casa com ela. Em sua velhice, ele escreve um romance de memórias para compreender melhor a vida.

Capitu, até a metade do livro, é quem dá as cartas na relação. É inteligente, tem iniciativa, procura articular maneiras de livrá-lo do seminário etc. Trata-se de uma garota humilde, mas avançada e independente, muito diferente da mulher vista como modelo pela sociedade patriarcal do século XIX. Nesse sentido, Capitu representa no livro duas categorias sociais marginalizadas no Brasil oitocentista: os pobres e as mulheres. A personagem acabará por “perturbar” a família abastada, ao casar-se com o homem rico.

Percebe-se, por isso, o peso do possível adultério em suas costas. Não se trata apenas de uma questão conjugal entre iguais, mas de uma condenação de classe. Bentinho utiliza o arbítrio da palavra para culpar sua esposa. Mas é ele quem narra os acontecimentos e, por isso, pode manipular os fatos da maneira que melhor lhe convém. Não se sabe até que ponto os fatos relatados correspondem ao que ocorreu, ou são uma interpretação feita pelo personagem, que, além de tudo, escreve que não tem boa memória.

Nesse sentido, a questão central do livro não é o adultério, e sim como Machado introduz na literatura brasileira o problema das classes e, ainda, de forma inovadora, a questão da mulher. Dom Casmurro coloca no centro de sua temática a menina que não se deixa comandar e, em virtude disso, perturba a ordem vigente naquele ambiente social estreito e conservador.

ENREDO O romance inicia-se numa situação posterior a todos os seus acontecimentos. Bento Santiago, já um homem de idade, conta ao leitor como recebeu a alcunha de Dom Casmurro. A expressão fora inventada por um jovem poeta, que tentara ler para ele no trem alguns de seus versos. Como Bento cochilara durante a leitura, o rapaz ficou chateado e começou a chamá-lo daquela forma.

O narrador inicia então o projeto de rememorar sua existência, o que ele chama de “atar as duas pontas da vida”. O leitor é apresentado à infância de Bentinho, quando ele vivia com a família num casarão da rua de Matacavalos.

O primeiro fato relevante narrado é também seu primeiro motivo de preocupação. Bentinho escuta uma conversa entre José Dias e dona Glória: ela pretende mandá-lo ao seminário no cumprimento de uma promessa feita pouco antes de seu nascimento. A mãe, que já havia perdido um filho, prometera que, se o segundo filho nascesse “varão”, ela faria dele padre. Na conversa, dona Glória soubera da amizade estreita entre o menino e a filha de Pádua, Capitolina.

Bentinho fica furioso com José Dias, que o denunciara, e expõe a situação a Capitu. A menina ouve tudo com atenção e começa a arquitetar uma maneira de Bentinho escapar do seminário, mas todos os seus planos fracassam. O garoto segue para o seminário, mas, antes de partir, sela, com um beijo em Capitu, a promessa de que se casaria com ela.

No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo. Em uma visita a sua família, Bentinho leva Escobar e Capitu o conhece.

Enquanto Bentinho estuda para se tornar padre, Capitu estreita relações com dona Glória, que passa a ver com bons olhos a relação do filho com a garota. Dona Glória ainda não sabe, contudo, como resolver o problema da promessa e pensa em consultar o papa. Escobar é quem encontra a solução: a mãe, em desespero, prometera a Deus um sacerdote que não precisava, necessariamente, ser Bentinho. Por isso, no lugar dele, um escravo é enviado ao seminário e ordena-se padre.

TRISTE E NOSTÁLGICO
Bentinho vai estudar direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Quando conclui os estudos, torna-se o doutor Bento de Albuquerque Santiago. Ocorre então o casamento tão esperado entre Bento e Capitu. Escobar, por seu lado, casara-se com Sancha, uma antiga amiga de colégio de Capitu. Capitu e Bentinho formam um “duo afinadíssimo”.

Essa felicidade, entretanto, começa a ser ameaçada com a demora do casal em ter um filho. Escobar e Sancha não encontram a mesma dificuldade: têm uma bela menina, a quem colocam o nome de Capitolina.

Depois de alguns anos, Capitu finalmente tem um filho, e o casal pode retribuir a homenagem que Escobar e Sancha lhe haviam prestado: o filho é batizado com o nome de Ezequiel.

Os casais passam a conviver intensamente. Bento vê uma semelhança terrível entre o pequeno Ezequiel e seu amigo Escobar, que, numa de suas aventuras na praia – o personagem era excelente nadador –, morre afogado.

Bento enxerga no filho a figura do amigo falecido e fica convencido de que fora traído pela mulher. Resolve suicidar-se bebendo uma xícara de café envenenado. Quando Ezequiel entra em seu escritório, decide matar a criança, mas desiste no último momento. Diz ao garoto, então, que não é seu pai. Capitu escuta tudo e lamenta-se pelo ciúme de Bentinho, que, segundo ela, fora despertado pela casualidade da semelhança.

Após inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria muita polêmica. O protagonista retorna sozinho ao Brasil e se torna, pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e Ezequiel tenta reatar relações com ele, mas a semelhança extrema com Escobar faz com que Bento Santiago o rejeite novamente.

O destino de Ezequiel é infeliz: ele morre de febre tifóide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.

Triste e nostálgico, o narrador constrói uma casa que imita sua casa de infância, na rua de Matacavalos. O próprio livro é também uma tentativa de recuperar o sentido de sua vida. No fim, o narrador parece menosprezar um pouco a própria criação. Convence-se de que o melhor a fazer agora é escrever outra obra sobre “a história dos subúrbios”.

NARRADOR O narrador é Bento Santiago, transformado já no velho Dom Casmurro. O foco narrativo é, portanto, em primeira pessoa e toda a narrativa é uma lembrança do personagem sobre sua vida, desde os tempos de criança, quando ainda era chamado de Bentinho.

TEMPO
O tempo da narrativa é psicológico, e não cronológico. Esse recurso é chamado impressionismo, porque o narrador se detém nas experiências que marcaram sua subjetividade. Seria usada pelo escritor francês Marcel Proust em sua obra Em Busca do Tempo Perdido. A falibilidade da memória surge como fator de complexidade, uma vez que uma lembrança só pode ser acessada de um momento presente.

Os acontecimentos, então, passam pelo filtro da subjetividade presente. É por isso que a descrição que o narrador faz de Capitu, como uma pessoa volúvel e sensual, deve ser posta em dúvida pelo leitor. O sentimento de ciúme exacerbado de Bento pode ter desvirtuado a figura da personagem.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas - resumo e análise da obra de Machado de Assis

Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época
Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de um filho abastado da elite brasileira do século XIX, Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar a sua infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear – interrompida apenas por comentários digressivos do narrador.

NARRADOR A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.

FOCO NARRATIVO
Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador-observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX.

TEMPO
A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida.

No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto-autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever.

O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação.
ENREDO
A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.

Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.

Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.

Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.

Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.

Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava.

A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.

NÃO-REALIZAÇÕES
O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos.

A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante.

O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito.

O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso.

Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir.

CONCLUSÃO
Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MPB: Cazuza

CAZUZA

Cazuza, nome artístico de Agenor de Miranda Araújo Neto, (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 — Rio de Janeiro, 7 de julho de 1990) foi um cantor e compositor brasileiro que ganhou fama como vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. Sua parceria com Roberto Frejat foi criticamente aclamada. Dentre as composições famosas junto ao Barão Vermelho estão "Todo Amor que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Bilhetinho Azul".
Cazuza é considerado um dos melhores compositores da música brasileira. Dentre seus sucessos musicais em carreira solo, destacam-se "Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte do meu Show", "O Tempo não Pára" e "O Nosso Amor a Gente Inventa".
Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual. Em 1989 declarou ser soropositivo e sucumbiu à doença em 1990, no Rio de Janeiro.

MPB : Roberto Carlos

Roberto Carlos

Roberto Carlos Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 19 de abril de 1941), mais conhecido como Roberto Carlos, é um cantor e compositor brasileiro. Ele foi um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira, liderando o primeiro grande movimento de rock feito no Brasil. Além dos discos, estrelou um programa na TV Record, chamado Jovem Guarda (que batizou esse movimento de rock), e filmes inspirados na fórmula lançada pelos Beatles - como "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", "Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa" e "Roberto Carlos a 300km por Hora". Atualmente continua se apresentando com freqüência e produz anualmente um especial que vai ao ar na semana do Natal pela Rede Globo, mesma época em que costumavam ser lançados seus discos anuais.
Entre 1961 e 1998, Roberto lançou um disco inédito por ano. Seus discos já venderam mais de 120 milhões de cópias e bateram recordes de vendagem - em 1994 chegou a marca de 70 milhões de discos vendidos -, incluindo gravações em espanhol e inglês, em diversos países. Fez milhares de shows em centenas de cidades, no Brasil e no exterior. Seu fã-clube é um dos maiores do mundo. Dezenas de artistas já fizeram regravações de suas músicas. Sua popularidade o tornou conhecido no Brasil e na América Latina como O Rei. Em 2010, durante premiação no Radio City Music Hall, em Nova Iorque, o então presidente da Sony Music, Richard Sanders, intitulou-o Rei da Música Latina.
Tendo iniciado a carreira sob influência do rock'n'roll que vinha dos Estados Unidos da América, despontou no início da década de 1960 com composições próprias, geralmente feitas em parceria com o amigo Erasmo Carlos, e versões de sucessos do então recente gênero musical - entre os quais, "Splish Splash", "O Calhambeque", "Parei na contramão" e "É Proibido Fumar" -, fundando as bases para o primeiro movimento de rock feito no Brasil. Com o sucesso, estrelou ao lado de Erasmo e Wanderléa um programa na TV Record chamado Jovem Guarda, que daria nome ao movimento musical. Desta fase, destacaram-se inúmeros sucessos como "Não quero ver você triste", "Lobo Mau", "A garota do baile", "Não é papo pra mim", "Parei, olhei", "História de um homem mau", "Quero que vá tudo pro inferno", "Esqueça", É papo firme", "Mexericos da Candinha", "Eu te darei o céu", "Nossa canção", "Namoradinha de um amigo meu", "Eu sou terrível", "Quando", "Maria, Carnaval e Cinzas", "Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim", "Como é grande o meu amor por você", "Se você pensa", "As canções que você fez pra mim", "Ciúme de você", "Eu te amo, te amo, te amo", "As curvas da estrada de Santos", "As flores do jardim da nossa casa", "Sua estupidez".
Na virada para década de 1970, reformulou seu repertório rock'n roll e se tornou um cantor e compositor basicamente romântico, que não modificou desde então. Logo também mudava seu público-alvo, que deixou de ser o jovem e passou a ser o adulto. Nessa linha, emplacou mais grandes sucessos como "Detalhes", "Amada Amante", "Como dois e dois", "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", "Quando as crianças saírem de férias", "Como vai você", "Proposta", "A Cigana", "O portão", "Eu quero apenas", "Além do horizonte", "Olha", "Os seus botões", "Ilegal, imoral ou engorda", "Amigo", "Falando sério", "Cavalgada", "Outra vez", "Força estranha", "Café da manhã", "Na paz do seu sorriso", "Amante à moda antiga", "Emoções", "Cama e mesa", "Fera ferida", "O côncavo e o convexo", "Caminhoneiro", "Verde e Amarelo", "Pergunte pro seu coração", "Dito e feito", "Tanta solidão", entre outras. Também a partir dessa fase despontaram composições de cunho religioso em sua obra, algumas também com bastante sucesso, como "Jesus Cristo", "Todos Estão Surdos", "A montanha", "O homem", "Fé", "Estou aqui", "Guerra dos Meninos", "Ele esta pra chegar" e "Nossa Senhora", entre outras.